quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

De volta








Forte chuva e trovoada
numa noite de outono,
eu de alma embrulhada
a pensar, sem fazer nada,
ao encontro do abandono;

Digerindo a recente despedida
sentado junto à lareira
tentando lamber a ferida,
para viver na minha vida
tinhas que ficar inteira;

Disseste que ias pensar
respeitei o teu desejo,
mas um carro ouvi parar
eras tu a regressar
à procura do meu beijo;

E como foi bom amar
numa entrega sem igual,
corações a palpitar
o desejo a disparar
em fantasia real;

Teus olhos da cor do mar, os trovões a ribombar,
sós entre a luz da lareira e o crepitar da madeira.


Malik

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Mãe, até amanhã






Na roda viva da vida
jornada após jornada,
vamos deambulando,
por distracção indevida
damos atenção a nada
o importante adiando;

É como andar a dormir
e os dias vão passando
sem conseguir acordar,
esquecendo o que pode surgir
conversas vão-se atrasando
sentimentos ficam por falar;

Até que chega o dia
em que queiramos ou não
obriga ao despertar,
derrocada da alegria
lágrimas no coração
omissões a lamentar;

O que ficou por dizer
é tanto, sabe-o bem Deus
perdi o meu talismã,
que vou agora fazer
não, não vou dizer adeus
minha Mãe, até amanhã!


Malik

domingo, 10 de dezembro de 2017

Apenas







Se fosses uma constelação
eu seria o universo,
terias uma estrela por coração
brilharias na minha imensidão
cantar-te-iam em verso;

Se fosses uma sereia
eu seria o teu mar,
brincaríamos na areia
te daria maré cheia
com mil estrelas-do-mar;

Se fosses uma flor
eu seria o teu jardim,
paraíso de perfume e cor
onde com o teu odor
desabrochavas p’ra mim.

Mas não és constelação, sereia ou flor.
És “apenas” a mulher que em mim desperta o amor.



Malik

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Esperança







Na rua um menino chorava
mal vestido, na calçada
debruçado em seu sofrer,
quem passava e olhava
distraído, via nada
ou então não queria ver;

Toda a gente apressada
as compras para a consoada
faziam o mundo correr,
até o vento ajudava
não deixando ouvir na estrada
o miúdo e seu gemer;

Um sem-abrigo passou
e logo ali parou
acercando-se da criança,

As lágrimas lhe enxugou
e uma história lhe contou
de um natal feito de esperança.


Malik

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Ao acordar






Um galo cantou
logo me acordou
ao raiar do sol,
estendi a mão
procurei-te em vão,
frio o lençol;

Sentei-me na cama
fiz filme de drama
oco de ilusão,
já bem acordado
ergui-me cansado
arrastei-me pelo chão;

Olhei o espelho
onde a batom vermelho
se podia ler,
fui trabalhar
volto ao jantar
para te amar, para viver.


Malik

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

O teu olhar






O teu olhar
mostra-me um mar
de luz e fogo,
vislumbro beijos
e outros desejos
onde me afogo;

Desvendo segredos
envoltos em medos
de ir ou ficar,
vejo um tesouro
sem prata nem ouro
que anseio roubar;

E vou mais fundo
descobrindo o teu mundo
procurando pelo meu,
ao chegar à alma
levanto com calma
uma ponta do véu;

Mais não é preciso,
és o paraíso
em ti estou no céu.


Malik

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

A rapariga que roubava flores






Até não era traquina
aquele amor de menina
daquela pequena aldeia,
apanhava flores no campo
em cada uma o encanto
de um tesouro de mão-cheia;

Foi crescendo e foi mudando
pelos caminhos ia roubando
as flores que estavam à mão,
nisso ela não mudou
foi um amor que ficou
e uma doce tentação;

Era já uma donzela
muito linda, muito bela
não lhe faltando amores,
ainda e sempre atrevida
apaixonada pela vida,
só pecando pelas flores;

Ela é hoje uma mulher
que sabe bem o que quer
mas continua a roubar,
nunca irá desistir
não consegue resistir
às flores, ao passar...


Malik